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https://dr3amup.itch.io/hardshipriver

Thank you very much for your review. I've already updated the file to make the change from swords to spades and I will keep your suggestions in mind when working on a newer version. The challenge is of course reducing the amount of text while making it clearer. I do want to keep it at one-page for portability, every player has the entire game on his or her "character sheet". But maybe some of the introduction can go to the other side of the page, for example? I'll think about this. Thanks again 👍

Thank you so much for trying out Sky Caverns of the Lizard Queen! Feel free to share your thoughts on what are the most relevant topics that are still missing from this current version.

Thanks for reading! If you find any typos or bad wording, please let me know. English is not my first language. 

força nisso Fabiano 👍

https://dr3amup.itch.io/hardshipriver

(3 edits)

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Este evento comunitário nasceu no site abreojogo.com em 2010. No princípio, apenas existia a Semana do Autor que manteve o mesmo formato até aos dias de hoje: sete dias para escrever pelo menos cinco mil palavras para um novo RPG. Este desafio segue a mesma filosofia que o NaNoWriMo, um evento mundial de incentivo à escrita criativa. Nunca foi um concurso, mas sim uma iniciativa que junta em comunidade todos os que querem atingir a meta que é proposta.

Em 2011, experimentamos ter um papel de Patrocinador que em 2012 evoluiu para a organização da Semana dos Editores destinada não só a pegar nos projectos de anos anteriores, mas também a facilitar a participação de qualquer pessoa que queira fazer algo para um RPG já existente. Entre 2012 e 2013, o #RPGenesis cresceu graças à forte adesão da comunidade Brasileira. RPGs como o UED do Júlio Matos nasceram na Semana do Autor e foram publicados mundialmente. Em 2014, a Semana dos Editores teve alguma adesão, mas esta decresceu em 2015 falhando no seu propósito de alargar o evento a mais pessoas. A participação de Portugueses no evento foi decaindo desde os primeiros anos, e apesar de ter encontrado acolhimento na comunidade Brasileira, sem autores nacionais o #RPGenesis perdeu a sua razão de ser como uma iniciativa de promoção  da criação de RPGs no nosso país. Tivemos a nossa travessia do deserto entre 2016 e 2018.

Em 2019 chegamos ao itch.io encontrando uma nova vaga de interesse no design de RPGs, novos criadores e novas ferramentas. Também somos cada vez mais uma comunidade internacional sabendo que isso também motiva os roleplayers nacionais a participarem. Obrigado a todos os que se juntam a esta iniciativa. Portugal não tem uma comunidade muito alargada, o sucesso dela depende de cada um de nós.  

 ------------------- 

 This community event was born in the abreojogo.com website in 2010. At the beginning, we only had the Author's week which has always kept the same format: seven days to write at least five thousand words for a new RPG. This challenge follows the same philosophy as NaNoWriMo, making you think about your work by having you write a considerable amount of text. #RPGenesis was never a competition, only a community initiative that brings together those who want to cross that finish line. In 2011, we've tried having the role of Sponsor, which in 2012 evolved into us having an extra Editor's Week focused on developing projects from previous years and as an attempt to bring into the event people who just want to do something for an already existing RPG. Between 2012 and 2013, #RPGenesis grew  thanks to a strong participation from the Brazilian community. RPGs such as Júlio Matos' UED were born in our Author's Week and were published internationally. Between 2014 and 2015, the Editor's Week decreased in participation and so has since been retired. The overall engagement from the Portuguese community with the event was dropping each year so, inspite having a lot of support from Brazil, the #RPGenesis event has pretty much no purpose without national authors. The driving force behind the event is to promote the creation of RPGs in Portugal and we hit a bit of a slump between 2016 and 2018.  

In 2019, we've come to itch.io and found a fresh interest in RPG design, new creators and new resources.  We came here trying to find a new balance between having a decentralized community event and bringing everyone together so that RPGeniuses can support each other and have their projects be easily discovered. Thank you to all who've come to join this initiative. Portugal does not have a large community, so our success depends on strong individual contributions.    

(4 edits)

Greetings, RPGeniuses!

#RPGenesis is a tabletop RPG design community challenge, aiming to write a tabletop RPG with a minimum of 5000 words, in seven days of August 2020. This jam happens in the same spirit of previous years, and of other challenges like the NaNoWriMo and NaGaDeMon: with the purpose of sharing creative energy and motivation between the participants, as well to bring out the spirit of "learn by doing".

Therefore, the best approach to this is to imagine, speculate, write and organize your game without second-guessing yourself, in order to submit the project on time. Are you ready to take the challenge?

Rules

  • Write a tabletop RPG or story game with at least 5000 words;
    • Your game must be fully playable from your final text
    • Instead of a completely original game, you may choose to do a "hack" (a variation or version) of an existing game or ruleset;
  • Writing the final text has a deadline of seven days: from 9th to 15th August (from and to midnight in your timezone);
    • Our intention is that the bulk of the preparation, research and reflection happens ahead of the event. However, the final version of the text is to be written during these seven days exclusively, and it should not reuse any previously written text.
  • All formats and themes are allowed, provided they can be submitted on this platform, and that they are not based on content that promotes discrimination, intolerance or any type of violence or abuse against others.
  • During the event, you may choose to also create other game material such as character sheets, maps or illustrations.
  • The submission of your game will be done through itch.io, as it will offer us a gallery of everyone’s creations as well as a small forum for the participants to mingle.
  • Let yourself be guided by sheer fun and uncompromising desire to create: no pressure, no frustration, and with breaks to take a breath and enjoy the company of those around us.
  • If you can, feel free to share your effort, enthusiasm, thoughts and difficulties in social media, and other platforms, such as online communities of tabletop RPGs and story games.

Click on "Join Jam" and join the #RPGenesis Community here on itch.io! On Twitter, if you want to promote  your participation in this community event use the hashtag  #RPGenesis. Invite your friends to join us!

This challenge is being organized by:
Ana Silva (https://ladyentropy.itch.io/)
André Tavares (@andretavaresRPG / https://mare-baixa.itch.io/)
Cristiano Tavares (@misticspell / https://misticspell.itch.io/)
Ricardo Tavares (@jogadorsonhador / https://jogadorsonhador.itch.io/)

Como ponto prévio, atenção que o propósito dos mercenários numa campanha é ir colocando os Ícones numa posição de liderança à medida que vão subindo de nível.  Incluindo assumirem o risco de contratarem alguns inúteis porque lançam o movimento sem qualquer reputação como aventureiros. E este movimento é afectado pela capacidade que os Ícones demonstraram para pagarem o que devem. Portanto, se um mercador quer enviar alguém com eles para os ajudar nalguma missão, quem manda aqui é o mercador pelo que este movimento não é aplicável. 



Um Guia requer que se gaste comida à mesma? Ou pelo menos poupa na quantidade? Ou faz a viagem demorar menos? Eu assumi que é como se toda a gente tivesse rolado 7-9, mas disse que o Guia lhes arranjou comida porque eles estavam nas lonas.
Além do seu pagamento, os Mercenários requerem comida para a viagem? Ou são eles responsáveis pelo próprio sustento?

A habilidade de Guia permite assumir um lançamento de 7-9 para todas as tarefas relativas àquela distância. À partida, cada dia de viagem envolve comer uma porção de comida ou passar fome. Pergunta a cada Ícone como se sente ao não comer nada durante um dia e marca uma debilidade se continuarem a gastar energias sem nada no estômago.  Cada mercenário olha por si.


O bónus que o Cozinheiro dá parece-me muito modesto quando os aventureiros já recuperam metade dos PVs quando descansam. Já agora, não é claro do texto que o Cozinheiro cura PVs em cima do que já recuperam normalmente, mas é a única interpretação que faz sentido para mim.

Exacto, é em cima do que já recuperam normalmente. 

(1 edit)

Aproveito para colocar aqui o texto do movimento:

Recrutar Mercenários
Quando passas palavra que estás à procura de contratar alguém, lança.
Se deres a saber...
• que pagas bem, recebes +1
• o que é para fazer, recebes +1
• que receberão uma parte dos proveitos, recebes +1
… e, se tiveres alguma reputação relevante, também recebes +1 ou -1
conforme o caso. Num 10+ podes escolher entre algumas pessoas
talentosas (2 de lealdade e 5 de habilidade). Num 7–9 só podes ficar com
uma pessoa que dá para desenrascar (1 de lealdade e 4 de habilidade) e
recebes -1 a seguir para Recrutar Mercenários se não ficares com ela.
Num 6- o Anfitrião faz um movimento incluindo alguém que faz questão
de ser contratado, não tem jeito nenhum para a coisa (0 de lealdade e 3
habilidade) e recusá-lo pode ter consequências desagradáveis. Os pontos
a habilidade podem ser distribuı́dos entre:


Guia: Alguém que conheça bem um território pode levar um grupo
através dele sem precisarem de desempenhar tarefas para Pôr os Pés ao
Caminho. A distância percorrida (medida em porções de comida) não
pode exceder a habilidade do guia.


Soldado: Se Partires Para a Violência ou te Puseres em Guarda ajudado
por um soldado, este sofre as consequências do possı́vel ataque e dá
+habilidade ao teu dano.


Cozinheiro: Ao Montar Acampamento, dar tempo ao cozinheiro para
consumir as porções de comida da melhor maneira permite curar um
número de Pontos de Vida igual à sua habilidade por cada porção assim
saboreada.


Acrobata: Quando uma armadilha é despoletada pelo acrobata, este
sofre os seus efeitos contando com a sua habilidade como armadura ou
para lançamentos.


Em locais onde seja possı́vel recrutar mercenários mais experientes,
estes podem ter mais 1 ou 2 pontos a lealdade ou a habilidade, mas
também são por isso mais caros. No mı́nimo, um mercenário custa 2 por
dia (mais 1 se pagares bem) e pede o dobro se for alguém experiente.

Da mesma maneira que a Bruxa responde pelo "o que é magia" em Terra Adentro, o Alquimista responde pelo "o que é ciência". Ambos são desprezados pela sociedade de Lugo por motivos diferentes mas semelhantes. Podemos perguntar aos jogadores porquê. À partida, imagino que o Alquimista invista imenso tempo em experiências falhadas à procura de algo que funcione de modo minimamente consistente. Não é fácil fazer ciência num mundo em que a magia é real, pois os resultados de cada experiência são afectados por factores muito difíceis de isolar, como a simpatia entre componentes, espíritos que existem em todas as coisas, etc. Para uma poção chegar a um ponto em que tem um nome, um preço e está numa tabela do jogo, tem uma longa história por trás que lhe dá um mínimo de garantia que funciona. Imagino por isso que, apesar do Alquimista ser eventualmente capaz (depende do movimento) de reproduzir qualquer poção que esteja listada na tralha, aquilo que o define é explorar os limites do que é possível e não fazer aquilo que os outros já fazem. É a diferença entre tecnologia e ciência, não é? 

Tentando responder às perguntas, o tempo que o Alquimista precisa e o que é que tem de fazer para mexer com as suas mistelas é uma questão a colocar ao jogador. Não gasta nenhum recurso especificado à partida, a ideia é que de facto ele traz consigo montes de substâncias que supostamente não servem para nada. O que ele está fazer com as mistelas é brincar com esses restinhos de coisas inúteis a ver o que é que dá. São uma experiência muito pessoal e praticamente impossível de reproduzir. As mistelas funcionam no corpo dele porque o Alquimista já tem muitos anos de fazer experiências com ele próprio. 

Dada aquilo que descrevi acima, será evidente que ninguém quer sequer tocar numa poção feita pelo Alquimista a não ser que seja algo perfeitamente reconhecível e, mesmo assim, nem pensar em comprar-lhe alguma coisa quando a sua reputação está só a nível 1. Quem é este maluco? Já vai com muita sorte em alguém eventualmente lhe emprestar dinheiro. Não,  a vida não é justa. 

Já agora, ao inventar poções, nunca esquecer de dar primazia à ficção. Primeiro diz-me que esta poção transforma a minha pele numa cena esverdeada com escamas como de um lagarto. Eu já nem sei se quero ouvir a parte da armadura +1 tendo em conta que a minha mulher não me quer ver assim. Acho que nem sequer te faço uma oferta por ela. Mas sem dúvida que pode ser útil para aventureiros sem eira nem beira que são essencialmente chutados para Leste.

Claro que não há mais pataniscas quando elas acabarem, mas quando tu escolhes jogar de Bruxa, tu não queres saber de contar rações de comida. Todos os pertences que a Bruxa tem são um pretexto para contar uma história, no fundo é essa a "moeda" em que ela negoceia (e uma das razões pelas quais é o Ícone mais difícil de jogar). Esse movimento que ela tem distingue-a porque ela tem a escolha de como, quando e com quem se endividar. Será que vale a pena negociar com um mercador de Lugo quando ela tem acesso a forças ocultas que anseiam controlar o seu destino? E provavelmente ninguém em Lugo quer sequer olhá-la nos olhos, não é?

Obrigado amigos!

(1 edit)


«O mar não é um lago gigante. Não há nada a Este das Terras de Lugo como ele. Não muito longe da costa, o oceano perde o fundo e, nesse abismo de água, tenebrosos monstros marinhos marcam território numa inescrutável dança de poder. Para lá do horizonte a Oeste, as cores das ondas e das nuvens confundem-se e partilham reflexos negros, dourados, verdes e azuis. Uma aura violeta, um nevoeiro feito de luz, flutua acima do mar e relâmpagos formam-se espontaneamente fazendo brotar nuvens no céu. Não é um sítio amigável. Os nossos pescadores pagaram com as suas vidas durante séculos para chegarem a um ponto em que embarcar numa expedição marítima não seja uma missão suicida. Séculos de experiência e sofrimento, não é por acaso que a nobreza de Lugo vem do mar. São os nosso heróis.

Por volta de quando eu nasci, tive a boa fortuna de vir ao mundo quando o nosso destino como terra de nobres pescadores se concretizou. O maior mostrengo alguma vez avistado perto da nossa costa, uma criatura gigantesca e imortal, inesperadamente faleceu. O seu cadáver flutuante mudou o nosso mar nas últimas décadas. Novas espécies variadas e suculentas vieram à superfície. Uma vasta extensão de oceano abriu-se durante alguns anos dando-nos grandes excedentes em pesca. Doses inacreditáveis de óleo de Estrengalhau, uma substância esverdeada produzida pela criatura, puderam ser recolhidas.

Também a nossa sociedade mudou bastante durante a minha vida. A velha nobreza militar era uma vergonha para nós, um bando de bêbados, ou pior, um grupo de cultistas que secretamente rezava ao mostrengo para que lhes desse forças em batalha. Mas somos um povo tolerante, e por isso foi com festas e casamentos que uma mudança de liderança se deu. Alguns mercadores de Lugo também aproveitaram o excedente que tivemos para enriquecer estabelecendo os melhores contactos que alguma vez tivemos com as grandes cidades a Leste. As Terras de Lugo são um exemplo de paz e de progresso, especialmente depois das teocracias terem desabado.

Um entendimento com o Imperador de Ébano também só foi possível graças ao talento diplomático de uma nova classe nobre que não está presa ao passado. Neste período conturbado, temos de nos orientar no sentido da ordem e do pragmatismo. Algumas vozes confundidas diriam que é nosso dever ajudar os sobreviventes das grandes cidades, mas isso são ideias perigosas. Vivemos um momento delicado na nossa grande comunidade. Não só devemos ter cuidado com quem vem de fora, mas também com quem reclama da sua justa posição na nossa sociedade. É ou não verdade que, em grande parte, foram homens e não elfos ou anões que morreram no mar por nós? E que culpa temos nós se quem lavra a terra agora não consegue ter a boa vida de quem vai para o mar? E agora querem todos ser pescadores? Não pode ser. Estas famílias mereceram o seu lugar e, a seu tempo, outras também começam a beneficiar da sua riqueza. Além de que não é difícil contrair uma dívida para ter algum dinheiro. E muitas maleitas que antes podiam ser fatais conseguem agora curar-se com algum preparado à base de óleo de estrengalhau. Ninguém pode ter razões de queixa. 

Eu próprio sou a prova de que qualquer anão de Lugo pode chegar a um cargo de relevo na nossa comunidade. Não sou pescador nem mercador, venho de uma família de artesãos. Gosto de uma boa comida e, por isso, sempre tentei tornar qualquer receita numa obra de arte, algo que fizesse muito mais do que só nos alimentar. Aprendi também a impor ordem nas cozinhas, a organizar eventos e a fazer amizades com esta nova nobreza que reconhece os meus méritos. Tornei-me assim o cozinheiro oficial de Lugo e o conselheiro pessoal das famílias mais importantes. Por vezes confundem-me com alguém que até poderia ser o Rei de Lugo, mas estas Terras sempre foram governadas por um conselho de nobres e eu sou apenas um seu humilde servidor. Tal como a maré cheia se segue à maré vaza, temos de respeitar a ordem das coisas. Eu limito-me a zelar por todo o fornecimento de comida em Lugo e a garantir que todas as celebrações populares acontecem da melhor maneira. Espero que, no futuro, tenhamos cada vez mais razões para festejar.»


«Os que pensam que mandam nisto tudo gostam muito dos seus muretes e murinhos, tanto que os metem na cabeça das pessoas. Mas eu nasci em cima do muro e daqui nunca mais saí, das fronteiras entre um lado e outro, entre nós e eles, entre humanos, anões e elfos. Nasci filho de uma elfa do rio e de um homem do mar, sou uma ave muito rara. Os meus pais conheceram-se através de uma anã mercadora que conduzia uma caravana nos tempos em que o comércio entre as grandes cidades teve o seu auge. Nunca fui de ficar em casa e por isso viajei muito a ajudar na caravana. Aprendi a ler, escrever e fazer contas com ela, apesar de isso agora só ser permitido a pescadores e mercadores. Devido a tensões entre famílias, os meus pais tiveram de se separar e, a partir daí, só conseguia passar alguns dias por estação com cada um. Da minha mãe aprendi músicas no alaúde para tocar ao meu pai. Do meu pai aprendi canções de marujo para cantar à minha mãe. Das pessoas que se juntavam à caravana aprendi grande parte do que sei, de muitos ofícios e lugares.

 Houve uma noite de viagem que me marcou para o resto da vida. A caravana vinha com muita gente e o acampamento que montamos quase não cabia dentro de uma clareira à beira da estrada. Uma estranha mulher, ruiva de olhos azuis, surgiu pela estrada e pediu para se juntar à fogueira. Pareceu reconhecer vários rostos e fez conversa com alguns viajantes que ficaram surpreendidos por ela saber desde logo de onde vinham e o que lá se passava. Alguém lhe fez uma pergunta e ela, em vez de responder, sorriu e começou a entoar as palavras de uma canção que paralisou de comoção quem a questionava. Um silêncio suspendeu o acampamento e nesse momento toda a gente soube que testemunhava algo de extraordinário. A mulher graciosamente improvisou sublimes variações a partir de uma canção  que era familiar a muitos dos presentes. Fazendo-se entender no dialecto certo, teceu um poema à frente de toda a gente unindo referências ao passado longínquo de cada rosto à volta da fogueira. E cantou sobre mim também. Iluminou as minhas origens como algo nobre e precioso, o total oposto de como eu me sentia na altura.

A misteriosa mulher já não se encontrava no acampamento ao amanhecer. Algumas pessoas sussurraram entre elas que tínhamos sido visitados pelo deus Lugo em forma humana. Nunca soube ao certo o que aconteceu, mas foi nessa noite que decidi o que queria ser. Um bardo como ela. Algum caminho novo teria de encontrar entre carregar caixotes, conviver com criminosos e ser tratado como um pária. Um longo caminho, sem dúvida, mas o sonho de realizar o meu talento manteve-me vivo através de muitas desventuras. 

Para lá das terras de Lugo, o mundo das grandes cidades e dos seus territórios nunca deixou de me surpreender. Gentes de todos os tamanhos e feitios. Passagens para reinos dos mortos, dos sonhos, de demónios, de tempos futuros e passados, de espaços coincidentes ou trocados. Vidas feitas no topo de cascatas flutuantes, nas costas de dragões, debaixo de árvores falantes ou dentro do estômago de um gigante. E a chegada de Terminus só veio virar a mesa ao contrário. Sem as regras impostas pelas velhas teocracias, é impossível prever para onde todas estas histórias se irão virar. 

Sim, porque é tudo acerca de histórias, não é? Sem poderem ler ou escrever, as tradições orais a que eu dediquei toda a minha vida são gerações de sabedoria popular que pode salvar vidas, alegrar corações ou revelar um caminho. Histórias podem também transpor barreiras e unir o povo quando os seus líderes fomentam divisões para mascarar a corrupção que os mantém na mó de cima. A nobreza das Terras de Lugo não se afirmou pelo seu poderio militar, mas a partir do domínio económico exercido por uma classe de pescadores e  mercadores. Estes oportunistas sempre exploraram a vulnerabilidade de quem tenta viver só da terra que tem quando não pode contar com a ajuda de animais. E agora os filhos de novos-ricos como o senhor Grão-Cozinheiro engendraram uma capa de prestígio e predestinação. Querem impor a história deles, no fundo. Mas certamente não têm a benção de Lugo e não podem vir com essa conversa agora que o Terminus espreita do horizonte. Tudo o que lhes resta é festas baratas para entreter o povo e moedas caras para o extorquir. Não vão durar muito tempo.» 


«Os humanóides acham que os animais são estúpidos, que as árvores são mudas e que o céu pertence aos deuses. A sua ignorância não conhece limites. Nestas Terras de Lugo, há respeito pelo mar e o resto é prepotência e vaidade. Esquecem-se ou fingem que se esquecem que não há animal cuja vontade possa ser domada ou semente cujo fruto esteja garantido. Julgam-se livres de tirar a liberdade a outros e de estorquir da terra mais do que precisam. Atitudes desprezíveis pelas quais nenhuma galinha lhes há-de dar um ovo e nenhum boi lhes puxará uma carroça. Por mais palavras que inventem, não há animais "domésticos" nestas terras, não há "explorações agrícolas". Tudo isso já foi tentado, vieram com chicotes, subornos, venenos, tudo para tentarem pôr a Natureza a trabalhar para eles. Mais cedo ou mais tarde, estes belos planos falharam. E agora, se calhar, vêm suplicar pela minha ajuda. 

Houveram tempos em que os druidas eram fundamentais para cada comunidade. Nenhum líder seria respeitado sem contar com o nosso apoio. Toda a gente dependia da nossa sabedoria para aprender mais sobre o mundo. Nós sabemos ler o tempo nas nuvens e o caminho nas estrelas. Nós sabemos de que árvore se pode construir uma casa ou que flores devem ser postas no cabelo de uma noiva. Nós dominamos as runas e os números mas não somos dominados por eles. Nós escondemos segredos para proteger o povo da sua ignorância e revelamos verdades para acordar a sua bravura. Nós conhecemos todas as maneiras de dar à luz uma criança ou de dar descanso a um cadáver. Nós temos experiência de vida, já passámos por muito do mesmo que toda a gente e por muito de invulgar também. Nós muitas vezes chegamos a discordar entre nós e reconhecemos os limites da nossa sabedoria.     

Falo de mim no plural com alguma tristeza. Já fomos alguns, depois poucos, agora sou só eu e talvez um ou outro aprendiz. Druida passou a ser o meu nome, não há mais ninguém como eu. Sou uma viajante solitária nestas terras, faço saber onde estarei presente quando sei de alguém em quem confio ou que pode precisar de mim. Algumas pessoas mais humildes vêm ter comigo procurando ajuda. Talvez uma galinha que lhes dê ovos durante uns meses porque a horta foi destruída pela geada. Talvez uma planta que possam encontrar não muito longe daqui para dar a uma avó doente. A Natureza pode ser cruel mas não é implacável. Se fizerem algo por ela, pode fazer algo por vós.

Eu costumava viajar pela orla de muitas civilizações e agora quase todas foram devastadas pelo jovem Terminus. Em pouco tempo, a Natureza está a tomar conta desses lugares e uns poucos sobreviventes vão encontrando outra maneira de viver. Nem tudo está em ruínas, mas mesmo as mais velhas construções expostas aos elementos acabam por sofrer derrocadas. Muitos dos que não foram massacrados pelo exército de Ébano foram os que conseguiram fugir para terras de Lugo. Só uns poucos se esconderam e conseguiram se manter próximos de onde moravam ou trabalhavam. Vigias deixados por Terminus estão atentos a qualquer tentativa de reconstrução dos locais sagrados. E na Natureza não faltam predadores que agora estendem os seus territórios tomando estas ruínas como parte do seu domínio. Além de haverem pequenas tribos nativas que viviam subjugadas por estas civilizações e que agora são livres para tomarem a sua terra de volta e decidirem o seu destino. São tempos interessantes e atribulados estes que o horizonte a Este das Terras de Lugo apresenta.

 Este silêncio pós-apocalíptico que se apoderou de tantas civilizações é fértil e muito bem-vindo. Precisava de tempo para ficar na memória destas gentes, para que apreciassem a dádiva que é o lugar que têm na Natureza. Talvez se lembrassem que em tempos éramos todos filhos da floresta, sem palavras e sem mentiras. Mas alguns, como o Mestre Bardo, dirão que não. Que a música sempre estava lá no meio do silêncio. E que a Este das Terras de Lugo há novas histórias e aventuras, muitos segredos e tesouros a descobrir. Que a roda-viva não pára e que a civilização há-de voltar mais cedo do que se imagina. O Mestre Bardo fala bem como sempre, mas também há uma altura para estarmos calados e aprendermos. E então não desperdicemos esta oportunidade.»

(1 edit)


Sei bem que os deuses tiveram domínio nesta terra, mas foram tomados pelo seu orgulho e pela ignorância dos seus seguidores. Perderam a noção de quem eu sou,  de todos os meus aspectos. Eu sou Trebaruna, a eterna amiga que traz o descanso final. Muitas preces já foram outrora dedicadas a mim. Eu sou também o destino, o Fado de todas as criaturas. Não há nada que esteja para lá do meu propósito. Sou tão inevitável como o passar do tempo e, mesmo assim, julgaram-se superiores a mim. E por isso um novo aspecto da Morte estava destinado a se revelar ao mundo. Enfim, eu sou também Terminus, o Imperador de Ébano, o conquistador desta terra pejada de divindades podres e indignas. Essa era de abusos descarados enfim terminou. Os líderes dessa teocracia, clérigos e paladinos, quase todos eles foram aniquilados ou postos ao meu serviço. As suas civilizações foram postas em ruínas. Agora existe apenas um verdadeiro exército, um verdadeiro império e um verdadeiro tributo.

Todavia chego a Terras de Lugo sabendo que não basta conquistar, é preciso também civilizar. E o deus Lugo, divindade versada no poder da palavra e do comércio, nunca me desrespeitou. Apenas viajou, como é seu hábito, para longe de suas terras e aqui nunca cultivou subserviências ou exigências desmedidas. Foi por isso fácil para mim chegar a um entendimento com a nobreza da região, líderes que sempre vieram de uma casta de pescadores e mercadores, gente que sabe que o que é devido tem de ser pago. Eu garantirei a moeda e o pagamento das dívidas e toda a gente deverá pagar o tributo a Terminus. Não é que a Morte faça qualquer uso ao dinheiro, os meus servidores não comem nem bebem. O tributo é apenas forjado para cunhar moeda cada vez mais valiosa. E para pagar a traidores, naturalmente. A pequena corrupção muitas vezes é tudo o que resta a esta gente. Mesmo antes do exército que eu comando marchar para Oeste, os meus emissários chegaram a um acordo com a nobreza de Lugo. Pedidos de casamento foram-me oferecidos e até ex-sacerdotes foram denunciados, tudo para conseguirem pagar menos ou receberem mais. Não me interessa a imoralidade com que fazem as suas contas, mas apenas o poder simbólico que através deles eu consigo exercer sobre o seu povo.

Para destruir poderes divinos não chega matar e pilhar. É nos momentos em que tudo parece perdido que uma faísca divina brilha na escuridão. As profecias, as relíquias, os heróis e os heremitas também terão de desaparecer a seu tempo e isso é um jogo de paciência. Gerações têm de nascer e morrer sob o meu domínio, pois é assumindo um lugar na vida destas terras que posso assegurar a inevitabilidade de cada falecimento. E é assim que começo o meu caminho de volta ao meu papel neutro e vigilante, altura em que eu mesmo poderei desaparecer como um dos aspectos da Morte. Mas tal não acontecerá demasiado cedo, Terminus ainda tem muito para fazer. 

Permito que alguns dos meus servidores mantenham alguma da sua humanidade para que o sentimento do dia-a-dia destas terras faça parte da minha percepção. Sei também que em todos os lugares há que contar com a imprevisibilidade da magia, o caos que flui através da realidade. Mas, de todos estes meandros, são raros os que merecem a minha atenção. Em particular, dos passos que caminham entre gerações, os da Velha Druida sempre me interessaram. Ambos sabemos muito bem que tudo vive e tudo morre, que há um equilíbrio, mas nada é assim tão simples com ela. Está na natureza das coisas o poder de elas se renovarem, de se transformarem sem que para isso tenham que morrer. Isto põe em causa a minha existência como um aspecto necessário à Morte, mas eu desta vez não pude esperar que tudo se equilibrasse daqui a uma mera centena de anos. Ser a Morte é também decidir qual é o momento certo e este instante pertence-me. Demasiadas curas milagrosas e ressuscitações cuspiram na minha cara. Outros aspectos da Morte poderão discordar, mas o abismo também anseia. E isso talvez a Velha Druida seja capaz de compreender.

Trebaruna, o aspecto primordial da Morte, recorda-se de outros tempos noutros mundos em que eu também nasci, mas recusa-se a falar do que aconteceu. E o Fado da Morte, o julgador de todos os destinos, por mais que tente desconhece qual será o meu. Só sabemos que, de uma forma ou de outra, nós somos certamente eternos. Mas há uma eternidade pela qual eu tenho de lutar.

Além disso, mexer nos mantimentos permite indirectamente ajudar o Alquimista:

Marcar experiência por agir na direcção de um Alinhamento na v2 fica mais fácil, permitindo tornar a sua proposta mais interessante:

A alquimia das Bombas está um pouco confusa na v1 e o próprio movimento precisa de ser mais acessível:

Obrigado amigos! Não sei o que é que vai ser mas já pode ter nome :)

Muito obrigado David! Fico muito contente de terem jogado e que o cenário tenha funcionado bem para dois jogadores. 

Se calhar preciso de ser mais claro logo à partida com alguns dos objectivos do jogo. Jogar fantasia medieval em Português para mim é uma enorme vantagem, o jogo está mesmo escrito para explorar ao máximo a especificidade da nossa língua. De certa forma, pode-se dizer que um dos objectivos do jogo é torná-lo tão difícil de traduzir quanto possível, até porque DW já existe em Inglês e em Português do Brasil. 

Outro objectivo é concentrar tudo o que eu acho que é fixe debaixo do domínio de cada Ícone. O setting é definido pelos Ícones e nada mais. Toda a magia pertence à Bruxa, por exemplo. Isto é possível justamente porque são só cinco Ícones Menores, não é preciso estar a diluir aquilo que cada um é de modo a dar para duas ou para três versões da mesma coisa. Podem haver mais alguns Ícones se for possível identificar outros nichos com potencial, mas para já só estou a ver um talvez (ainda no segredo dos deuses).  

Thank you for you feedback Minakie!

Thank you! I've delved into a first rough draft today and I'm feeling moderately confidant. I'm going to let it cool for a few days before giving it my best stern look. 

Imma goin for it:

Hardship River is inspired by pieces from my hometown History and you may learn more about them if you consult what the web has to say about the Douro River, Rabelo Boats or the city of Oporto. You may imagine it within any setting, just before a time where dams and dynamite made rivers much safer. The Little Tail is a wooden cargo boat with a flat-bottom, a square sail and a long steering paddle at the stern.

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My little pitch so far:

Hardship River is a one-page, one-move Powered by the Apocalypse Role-Playing Game with no MC! In it, you and your traveling companions sail in the small Little Tail boat down a very dangerous river, hoping to reach the great Unconquered City by the seashore. As you overcome each stretch of wild rapids, you discover why you're traveling, what's your cargo or why do you really care for your companions. But trust between strangers isn't found without navigating around lies and misunderstandings. And not all of your companions may be willing or able to face whatever hardship to reach the end of the river. 

Obrigado, André. Já enviei e-mail ao Carlos. 

Obrigado,  Daniel!
Penso que estamos alinhados. A ideia de (quase) todos os Ícones Menores começarem com uma dívida é abrir a hipótese de terem um credor em comum e de essa pessoa poder aproveitar para pedir um favor ou de qualquer outra forma fazer algum call-to-action. Tudo o que é preciso é apenas alguma situação inicial que suscite questões que, ao serem respondidas pelos jogadores, crie um cenário à medida de cada grupo. Dungeon World tem isso, mas não no livro de facto. 
Sim, um segundo exemplo de jogo é sempre outro pretexto para dar algumas ideias. Não estou certo se continuo onde o primeiro acaba ou se salto para outro grupo diferente com outro género de situação.

Espadas vs Lanças


Construções Subterrâneas Tridimensionais


Tochas


Florestas Não São Mato Selvagem


Capas

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Amigos companheiros das lides RPGénicas! Muito obrigado pelo vosso interesse no meu projecto. O trabalho no Terra Adentro agora continua na sua própria comunidade também aqui no itch: https://jogadorsonhador.itch.io/terra-adentro No fundo dessa página encontrarão sempre notícias de novas versões bem como tópicos abertos aos jogadores de Terra Adentro.  Espero ver-vos por lá. Até já.

E então, que te aconteceu Lagartinha? Tens de ler o Fadário do Misticspell.

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Partilhem aqui ilustradores que conheçam a quem possa pedir comissões para, pelo menos, os quatro Ícones Maiores das Terras de Lugo. É um bónus se tiverem alguma familiaridade com RPGs para assim perceberem melhor o projecto.

Sim, é a cena de piratas que mais me lembrou de poder ser PbtA.

I saw you joining just now, what a brave soul, Naruto would be proud. Best of luck in your heroic 24 hours!